quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Flandres, 20 de Março de 1916:
Querida família:
enquanto tiver força para escrever, escreverei sempre, mas, como isto anda, penso que um dia destes as minhas cartas nunca mais serão enviadas. Digo isto por várias razões, uma delas é a censura, na qual não se costuma falar mas todos sabem que existe...
Há umas horas (não sei se foi há muito ou pouco tempo pois já cá estou há duas semanas e perdi um pouco a noção do tempo) vi no meu redor uns sete homens a morrer depois de um pequeno avanço das tropas alemãs da trincheira inimiga. Alguns dos nossos homens ficaram com tiros em todos os sítios do corpo.
Quando deixar de escrever será porque morri com um tiro ou por causa das condições de higiene, que são péssimas. Somos as toupeiras humanas... Dentro das nossas trincheiras apenas somos dez soldados portugueses, os outros são ingleses e não os consigo perceber...
Sabem como passamos o nosso tempo? Limpando o nosso cantinho dos ratos e parasitas... mais não falo porque o que se sente aqui não pode ser imaginado por quem não o passou.
Luís Martins nº 16 9º3

1 comentário:

  1. Oh OH Oh Puffavor...

    Não se vê, que esta carta tá um espectaculo? :P

    Tá mesmo á português :P

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