terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Críticos de Arte"

Vamos ser críticos de arte por um dia:)

bom trabalho:)

domingo, 15 de novembro de 2009

Trincheira da Entente, 25 de Agosto de 1915
Querida Quilhermina, luz da minha vida:
hoje fazemos cinco anos de casados e por mais que tente não consigo suportar as saudades de casa. Dou por mim a relembrar o dia em que nos despedimos e estavamos confiantes de nos voltarmos a ver em breve, mas parece que isso não vai acontecer...
Todos os portugueses que estão comigo têm a mesma opinião que eu, estamos todos fartos das miseráveis condições aqui instaladas: não há higiene nenhuma, vemos ratos mortos, acordamos com as metralhadoras ou com os gritos dos outros por causa do gás tóxico, quando se começa a ver alguma coisa por entre o fumo apenas vemos pessoas mortas na "Terra de Ninguém", no meio dos buracos das bombas...
Passamos os dias a defender as nossas posições ou a tentar descançar um bocado que seja, a rezar para que tudo acabe depressa.
Fico chocado com a capacidade e facilidade com que os alemães matam quem quer que se lhes atravesse no caminho, deviam ser responsabilizados por todo este mal e irradiados da face da terra.
Ansioso por voltar para o teu lado, beijinhos para ti e para os nossos filhos, com muitas saudades...

Jacinta Ferreira, Nº 9, 9º2
Trincheira Inglesa, 1915
Querida famíla:
Entrei nesta guerra com esperança que ela iria durar apenas uma semana, hoje olho à minha volta e já passou mais de um ano...
Cada dia que passa tento ganhar mais forças para enfrentar o meu dia-a-dia monótono, já nem consigo respirar, muito menos andar em guerra... os animais que vocês tanto odeiam, os ratos, são aqueles que me fazem companhia dia e noite, às vezes é tanta a fome que até os como.
O cheiro dentro das trincheiras é de tal modo desagradável que muitas vezes vomito o que não tenho no estômago.
Olho à minha volta e encontro um companheiro morto, em decomposição. É tão chocante que às vezes fecho os olhos e penso que tudo isto é um grande pesadelo e que em breve vou acordar. Tenho sempre muito medo que o inimigo triunfe e que tenha um fim igual ao dos meus companheiros....
As condições de higiene são péssimas: já não tomo banho nem mudo de roupa há três semanas...
Custa-me a crer que uma nação tão desenvolvida e civilizada como a nossa deixe os seus soldados nestas condições.... mas a esperança é a última que morre e acredito que em breve estarei ao vosso lado.

Diana Faria, Nº 30, 9º2
Flandres, 30 de Setembro de 1915
Querida famíla:
isto é totalmente diferente do que eu e os meus camaradas imaginávamos. Nós pensavamos que iríamos vencer rapidamente os alemães mas parece que isto não tem fim...
Tenho muitas saudades da vida que tinha, não muito boa mas muito melhor do que a que tenho aqui. Logo no primeiro dia fiquei extremamente chocado, três dias antes os alemães tinham feito um ataque com gás venenoso, o que encontramos foi basicamente mortos e os que sobreviveram usaram panos embebidos em urina para tapar a boca e o nariz. Até hoje ainda não tivemos possibilidade de remover os corpos dos soldados mortos, que já estão em avançado estado de decomposição. Mal conseguimos dormir e comer com este cheiro insuportável e o barulho interminável das bombas.
A única maneira de passar o tempo é a escrever ou a conversar com os outros soldados.
Agora despeço-me, espero poder voltar a escrever-vos e peço a Deus que isto acabe depressa.

Luís Rafael Silva, Nº 17, 9º3

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Na aula...


Este espaço é para deixares as tuas dúvidas acerca dos conteúdos leccionados na aula de História.Usa e abusa, estou cá para responder:)

Magusto na E.B. 2, 3 de Lijó


9ºD na "descontra":) guerra de castanhas?? nãããããoooo!:)
uma pausa para comemorar os 91 anos da assinatura do Armistício da 1ª Guerra Mundial, ou será o S. Martinho?:)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Norte da França, 3 de Dezembro de 1915
Queridos pais:
escrevo-vos da trincheira da nossa pátria, Inglaterra. Estes dias têm sido horríveis, olho em frente e vejo, até onde os meus olhos conseguem alcançar, um terreno plano, com os cadáveres dos militares, dos cavalos e até mesmo de ratazanas a decomporem-se, o que, para além de ser horrível, deixa um cheiro insuportável a carne putrefacta... as árvores estão carbonizadas e as casas que lá existiram estão desfeitas em completas ruínas.
Como se não bastasse, a juntar ao cheiro dos cadáveres, o cheiro a fezes misturado com o de detritos de comida apodrecida e urina torna a vida dentro da trincheira insuportável, simplesmente terrível.
Os dias aqui dentro parecem intermináveis, estamos aqui há bastante tempo expostos ao clima, sem nada para fazer a não ser escrever e conversar com os colegas. Apenas vemos as paredes das trincheiras e, como se não bastasse, ficamos soterrados em lama.
não mudo de roupa há imenso tempo, não posso tomar banho pois tenho pouca água e necessito dela para beber.
Estou sujo e com fome, temos pouca comida e está racionada, o que faz com que alguma da que está armazenada acabe por apodrecer, por isso acabamos por comer qualquer coisa que se atravesse à nossa frente, como ratos ou ratazanas. É deprimente, nunca pensei que um dia isto me pudesse acontecer...
muitos dos meus colegas estão a ficar gravemente doentes devido à má alimentação, falta de higiene, devido também ao facto de passarmos os dias dentro da trincheira e nem vermos a luz do sol... outra causa das doenças é o facto de o inimigo usar como arma um gás que mata instantaneamente ou vai matando aos poucos. estou desesperado, vê-los assim e não poder fazer nada é angustiante.
Aqui somos todos como uma família pois estamos todos no mesmo "barco", por isso ajudamo-nos uns aos outros, somos muito unidos, o que faz com que seja ainda mais terrível quando algum morre, é duro ver um amigo morrer ao nosso lado e não poder fazer nada....
Penso que todos concordamos que não há nada pior do que a guerra, vemos pessoas mortas, a sofrer, a morrer aos poucos, casas, cidades, campos destruídos, as famílias a lamentar as suas perdas, matam-se pessoas como se fossem animais, como se a sua vida não valesse nada, é simplesmente horrível!
Os nossos inimigos estão sempre prontos, à espera do momento certo para atacar, basta um pequeno movimento, é muita pressão, temos que estar sempre alerta, mas à medida que o tempo passa acho que estamos mais fracos, nós e eles... deve ser por isso que estamos sempre na mesma posição....
Não vejo a hora de sair deste inferno e ir ter convosco, estar junto da família e dos amigos....
Adoro-vos, espero estar convosco em breve...

Sara Cordeiro Nº 19 9ºD

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Flandres, Setembro de 1915:

Querida família...
Depois de algum tempo aqui deparei-me com cenas horríveis, que nem imaginais.
Passo os meus dias a falar com os meus camaradas ou em combate. Aqui as condições são miseráveis, às vezes ficamos várias semanas sem um banho ou uma muda de roupa... Vivemos na companhia dos ratos e ratazanas e alguns soldados até já chegaram ao cúmulo de os comer. Enfim, o ambiente que aqui se vive é desolador. Quando olho para a cara dos meus camaradas a única coisa que vejo é medo, preocupação e desespero que eles sentem...
Fora das trincheiras há mortos por todo o lado, e o pior é que nem nós nem os nossos inimigos temos culpa das guerrinhas entre os nossos países! Quaisquer que sejam as regalias que ganhem, não se admite o preço que os homens têm que pagar. É uma coisa terrível.
A minha vontade era voltar para casa, para junto de vocês.
Joana Pereira nº 10 9º3
Flandres, 20 de Março de 1916:
Querida família:
enquanto tiver força para escrever, escreverei sempre, mas, como isto anda, penso que um dia destes as minhas cartas nunca mais serão enviadas. Digo isto por várias razões, uma delas é a censura, na qual não se costuma falar mas todos sabem que existe...
Há umas horas (não sei se foi há muito ou pouco tempo pois já cá estou há duas semanas e perdi um pouco a noção do tempo) vi no meu redor uns sete homens a morrer depois de um pequeno avanço das tropas alemãs da trincheira inimiga. Alguns dos nossos homens ficaram com tiros em todos os sítios do corpo.
Quando deixar de escrever será porque morri com um tiro ou por causa das condições de higiene, que são péssimas. Somos as toupeiras humanas... Dentro das nossas trincheiras apenas somos dez soldados portugueses, os outros são ingleses e não os consigo perceber...
Sabem como passamos o nosso tempo? Limpando o nosso cantinho dos ratos e parasitas... mais não falo porque o que se sente aqui não pode ser imaginado por quem não o passou.
Luís Martins nº 16 9º3

Novembro: mês da comemoração do Armistício da 1ª Guerra Mundial


Comemorando os 91 anos da assinatura do Armistício da 1ª Guerra Mundial, publicamos algumas cartas ficcionadas, elaboradas pelos alunos, imaginando serem soldados na frente de batalha.
Lançamos também o desafio do mês: faz um comentário fundamentado à frase de Marc Ferro: "Os Aliados não se apercebiam de que perdiam a paz no preciso momento em que ganhavam a guerra."