Trincheira Inglesa, 1915
Querida famíla:
Entrei nesta guerra com esperança que ela iria durar apenas uma semana, hoje olho à minha volta e já passou mais de um ano...
Cada dia que passa tento ganhar mais forças para enfrentar o meu dia-a-dia monótono, já nem consigo respirar, muito menos andar em guerra... os animais que vocês tanto odeiam, os ratos, são aqueles que me fazem companhia dia e noite, às vezes é tanta a fome que até os como.
O cheiro dentro das trincheiras é de tal modo desagradável que muitas vezes vomito o que não tenho no estômago.
Olho à minha volta e encontro um companheiro morto, em decomposição. É tão chocante que às vezes fecho os olhos e penso que tudo isto é um grande pesadelo e que em breve vou acordar. Tenho sempre muito medo que o inimigo triunfe e que tenha um fim igual ao dos meus companheiros....
As condições de higiene são péssimas: já não tomo banho nem mudo de roupa há três semanas...
Custa-me a crer que uma nação tão desenvolvida e civilizada como a nossa deixe os seus soldados nestas condições.... mas a esperança é a última que morre e acredito que em breve estarei ao vosso lado.
Diana Faria, Nº 30, 9º2
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