Trincheira da Entente, 25 de Agosto de 1915
Querida Quilhermina, luz da minha vida:
hoje fazemos cinco anos de casados e por mais que tente não consigo suportar as saudades de casa. Dou por mim a relembrar o dia em que nos despedimos e estavamos confiantes de nos voltarmos a ver em breve, mas parece que isso não vai acontecer...
Todos os portugueses que estão comigo têm a mesma opinião que eu, estamos todos fartos das miseráveis condições aqui instaladas: não há higiene nenhuma, vemos ratos mortos, acordamos com as metralhadoras ou com os gritos dos outros por causa do gás tóxico, quando se começa a ver alguma coisa por entre o fumo apenas vemos pessoas mortas na "Terra de Ninguém", no meio dos buracos das bombas...
Passamos os dias a defender as nossas posições ou a tentar descançar um bocado que seja, a rezar para que tudo acabe depressa.
Fico chocado com a capacidade e facilidade com que os alemães matam quem quer que se lhes atravesse no caminho, deviam ser responsabilizados por todo este mal e irradiados da face da terra.
Ansioso por voltar para o teu lado, beijinhos para ti e para os nossos filhos, com muitas saudades...
Jacinta Ferreira, Nº 9, 9º2
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